Na rede

A pesca maravilhosa, Rapahel
Texto baseado em sermão do rev. Garrison.
Esta é a última parábola escrita por Mateus sobre o Reino de Deus. É uma parábola sobre julgamento e sobre o fim dos tempos. A rede desta parábola é arrastada de modo a pegar tudo que está em seu caminho. Na parábola Jesus diz que o Reino de Deus e, por extensa, a igreja, que é o sacramento deste Reino, se manifestam do mesmo modo que a rede. Ela nos induz a pensar que o Reino de Deus puxa para fora tudo que está em seu caminho, e não somente peixes. Todos podemos imaginar as mais improváveis coisas que vêm na rede.
Mas esta não é a única declaração de Jesus nesse sentido. Em João 12.32, Jesus disse o seguinte: quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim. Então, assim como a rede que tira tudo que encontra na água, o Reino leva a Deus tudo que encontra no mundo. Outro dado importante é que os novos céus e a nova Terra não são meras substituições dos antigos modelos, e sim transformações radicais do que existe e do que se conhece. Essa linha de raciocínio é importante para destacar que ordem do mundo atual, por mais que as circunstâncias tentem negar, continua sob o controle de Deus, e que o seu Reino continua progredindo. A leitura do texto indica que tanto as coisas boas quanto as coisas ruins desse mundo estarão presentes na consumação do Reino de Deus.
Outra leitura vai afirmar que a igreja, como sacramento deste Reino, não pode jamais atuar no mundo como aquele pescador que separa para si os peixes bons e devolve ao mar os peixes que para ele não prestam. No entanto, começando com os Atos dos Apóstolos, e porque não dizer muitos textos das Escrituras, podemos ver que o que prevalece é a tônica da excomunhão. Julgar quem serão os primeiros a serem expulsos do Reino virou o negócio preferido da igreja. A prática de se jogar fora tudo o que não serve ou o que não se encaixa em nossos padrões enquanto a rede ainda está na água, tem sido a ideia brilhante da maioria dos cristãos para melhorar o Reino de Deus. Somos nós que determinamos o que serve e o que não serve e o que adianta e o que atrasa.
Quem é que tem sobre si esse poder? Não parece ser o mesmo que contou a parábola, pois este não rejeitou os pecadores como o povo religioso de seus dias, e nem como nós rejeitamos hoje. Se fosse ele de fato e de direito o nosso parâmetro, como igreja nós também não poderíamos rejeitar os pecadores. Está mais do que provado que nós não sabemos receber os pecadores, e as nossas orações diárias são sempre manifestações de gratidão por não sermos iguais a eles. Mas alguns dentre nós poderão ponderar: e a conversão, não serve para nada? Se é assim, então tudo é válido? Todas as coisas são permitidas, até a pedofilia, o aborto e o assassinato?
Pensemos antes de responder que o mundo todo foi salvo por meio do assassinato de Deus encarnado em Jesus Cristo. Mas isso não invalida a necessidade de conversão, ela é incontestavelmente necessária. Mas ela é o fruto da fé. Ela é resultado, e não a causa ou o ingresso.
Vamos voltar à parábola. Os pescadores puxam a rede para a praia, para separar os peixes. Os que prestam são jogados dentro do cesto, e os que não prestam são jogados fora. E é aqui que Jesus chega ao julgamento. Os pescadores fizeram três coisas quando a rede estava cheia. Primeiro, eles a arrastaram para a praia. Segundo, eles sentam para separar os peixes. Terceiro, eles fazem a seleção. Mas reparem que aqui está o coração do evangelho, e ele é um grande paradoxo. O que vai ser dito agora parece ser totalmente o contrário do que a parábola está comunicando.
Ninguém é salvo porque é bom? Ninguém é salvo porque fez grandes obras? Ninguém chega à presença de Deus por seus próprios méritos. Todo mundo, todos os tipos, indistintamente todos os que chegaram àquela praia, chegaram na rede do Reino de Deus, pelo poder da morte e da ressurreição de Jesus Cristo. (continua)
 
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